Como diagnosticar a otosclerose? Conheça os exames que confirmam a doença

felippe felix otorrino rio de janeiro e niteroi

por: Felippe Felix

Como diagnosticar a otosclerose? A otosclerose é uma das principais causas de perda auditiva progressiva em adultos jovens e de meia-idade. Como seus sintomas costumam evoluir lentamente, muitas pessoas convivem com a doença durante anos antes de receber o diagnóstico correto.

O diagnóstico é realizado pela combinação entre a história clínica, exame físico, testes auditivos e exames de imagem. Não existe um único exame capaz de confirmar a doença em todos os pacientes.

Neste artigo você entenderá como a otosclerose é diagnosticada, quais exames são necessários e por que a avaliação com um otorrinolaringologista especialista em ouvido (otologista) é fundamental.

O que é otosclerose?

A otosclerose é uma doença caracterizada pelo remodelamento anormal do osso da cápsula ótica, principalmente ao redor da janela oval, onde se localiza o estribo.

Com a progressão da doença, o estribo perde mobilidade e deixa de transmitir adequadamente as vibrações sonoras até a cóclea.

Como consequência, ocorre perda auditiva progressiva e, em muitos pacientes, zumbido.

Quais são os primeiros sintomas da otosclerose?

Os sintomas costumam surgir entre os 20 e 40 anos, embora possam aparecer em outras faixas etárias.

Os sinais mais frequentes incluem:

  • perda auditiva progressiva;
  • dificuldade para compreender conversas;
  • sensação de ouvido abafado;
  • zumbido;
  • dificuldade para ouvir em ambientes ruidosos.

Em alguns pacientes, o zumbido aparece antes mesmo da perda auditiva ser percebida.

Também é comum que os sintomas comecem em apenas um ouvido, mesmo quando a doença posteriormente acomete ambos.

Como diagnosticar a otosclerose?

O diagnóstico é baseado na associação de diversos elementos.

O médico considera:

  • história clínica;
  • exame físico;
  • testes auditivos;
  • exames de imagem.

Além disso, são avaliados fatores importantes como:

  • idade de início dos sintomas;
  • evolução lenta e progressiva da perda auditiva;
  • presença de zumbido;
  • história familiar de otosclerose.

Como a doença possui importante componente genético, o histórico familiar pode aumentar a suspeita clínica.

O exame físico consegue diagnosticar a otosclerose?

Na maioria dos casos, não.

Durante a otoscopia, o tímpano costuma apresentar aspecto normal.

Isso acontece porque a otosclerose acomete estruturas profundas do ouvido médio, invisíveis ao exame convencional.

Em situações raras pode ser observado o chamado Sinal de Schwartze, uma discreta coloração avermelhada atrás da membrana timpânica, mas esse achado é incomum e está presente em apenas uma pequena parcela dos pacientes.

Por isso, o diagnóstico depende principalmente dos exames complementares.

Otosclerose como diagnosticar

Quais exames confirmam a otosclerose?

Audiometria

A audiometria é o exame mais importante no diagnóstico da otosclerose.

Ela permite identificar:

  • tipo da perda auditiva;
  • intensidade da perda;
  • evolução da doença.

Nas fases iniciais da otosclerose costuma ser encontrada uma perda auditiva condutiva.

Um achado clássico é o chamado entalhe de Carhart, caracterizado por redução da condução óssea em torno de 2.000 Hz, bastante sugestivo da doença.

Além do diagnóstico, a audiometria também é utilizada para acompanhar a evolução da perda auditiva ao longo dos anos.

Impedanciometria (imitanciometria)

A impedanciometria avalia a mobilidade da membrana timpânica e da cadeia ossicular.

Na otosclerose podem ser observados:

  • redução da complacência do sistema tímpano-ossicular – curva Ar é a mais típica, mas curva A ainda é a mais comum;;
  • ausência do reflexo estapediano, um dos achados mais característicos da doença.

Essas alterações reforçam significativamente a suspeita diagnóstica.

Tomografia computadorizada dos ossos temporais

A tomografia computadorizada é extremamente útil porque permite:

  • identificar focos de otosclerose;
  • diferenciar os tipos da doença;
  • avaliar a anatomia do ouvido;
  • excluir outras causas de perda auditiva;
  • planejar a cirurgia.

Entretanto, é importante destacar que a tomografia pode ser normal nas fases iniciais da doença.

Por isso, um exame de imagem normal não exclui completamente o diagnóstico quando os demais achados clínicos são sugestivos.

Testes com diapasão

Durante a consulta, o otorrinolaringologista pode realizar testes simples utilizando um diapasão.

Os mais conhecidos são:

  • teste de Weber;
  • teste de Rinne.

Embora não confirmem isoladamente a otosclerose, esses testes ajudam a diferenciar perdas auditivas condutivas e neurossensoriais durante a avaliação clínica.

Como diferenciar a otosclerose de outras causas de perda auditiva?

Diversas doenças podem causar sintomas semelhantes, incluindo:

  • presbiacusia (perda auditiva relacionada ao envelhecimento);
  • otites;
  • rolha de cera;
  • perda auditiva súbita;
  • doença de Ménière;
  • colesteatoma;
  • alterações do ouvido interno.

Por isso, o diagnóstico correto depende da integração entre sintomas, exames e avaliação médica especializada.

Quais são as fases da otosclerose?

Fase inicial

Nesta fase os sintomas costumam ser discretos.

O paciente pode perceber apenas:

  • zumbido leve;
  • pequena dificuldade para ouvir;
  • sensação de ouvido abafado.

Fase progressiva

Com a evolução da doença surgem dificuldades crescentes para:

  • compreender conversas;
  • ouvir em ambientes ruidosos;
  • utilizar o telefone;
  • acompanhar reuniões e atividades sociais.

Fase avançada

Nos casos mais avançados pode ocorrer comprometimento do ouvido interno, levando à:

  • perda auditiva mista;
  • perda auditiva neurossensorial;
  • necessidade de aparelhos auditivos;
  • implante coclear em situações selecionadas.

O diagnóstico da otosclerose precoce melhora o tratamento?

Sim.

Quanto mais cedo a doença for identificada, maiores costumam ser as possibilidades de tratamento.

O diagnóstico precoce permite:

  • acompanhar a evolução da perda auditiva;
  • indicar a cirurgia no momento mais adequado;
  • preservar melhor a audição;
  • reduzir o impacto do zumbido;
  • proporcionar resultados cirúrgicos mais previsíveis.

Quando procurar um especialista em otosclerose?

Procure avaliação com um otorrinolaringologista especialista em ouvido se apresentar:

  • perda auditiva progressiva;
  • zumbido persistente;
  • dificuldade crescente para compreender conversas;
  • histórico familiar de otosclerose;
  • sensação frequente de ouvido abafado.

Quanto antes o diagnóstico for realizado, maiores costumam ser as chances de recuperar ou preservar a audição.

Diagnóstico e tratamento da otosclerose no Rio de Janeiro

Se você apresenta perda auditiva progressiva, zumbido ou suspeita de otosclerose, procure avaliação especializada.

Dr. Felippe Felix é otorrinolaringologista, otologista e especialista em cirurgia da otosclerose no Rio de Janeiro. É Chefe do Serviço de Otorrinolaringologia do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho da UFRJ, Doutor e Mestre pela UFRJ, realizou aperfeiçoamento em Otologia no Institut Georges Portmann (França) e possui ampla experiência no diagnóstico e tratamento da otosclerose, perda auditiva, colesteatoma, implante coclear e demais doenças do ouvido.

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