Quem tem microtia ouve? Graus de microtia, deficiência e tratamento

felippe felix otorrino rio de janeiro e niteroi

por: Felippe Felix

A microtia é uma malformação da orelha caracterizada pelo desenvolvimento incompleto da orelha externa. Os graus de microtia podem variar de uma leve alteração na forma até a ausência total do pavilhão auricular, podendo afetar apenas uma orelha ou ambos os lados. 

Uma dúvida comum de pais e pacientes é: quem tem microtia consegue ouvir normalmente? A resposta depende do grau da microtia e de outros fatores associados à audição. 

Neste artigo, vamos explicar o que causa a microtia, quais são seus graus, quando ela caracteriza deficiência e quais são as opções de tratamento.

O que pode causar microtia

A microtia é uma condição congênita, que pode ocorrer isoladamente ou estar associada a outras síndromes craniofaciais, como a síndrome de Treacher Collins ou Goldenhar.

As causas exatas da microtia ainda não são totalmente compreendidas, mas alguns fatores podem estar envolvidos:

  • Fatores genéticos (histórico familiar de malformações)
  • Alterações durante o desenvolvimento embrionário nas primeiras semanas de gestação
  • Exposição a substâncias teratogênicas (como certos medicamentos ou infecções) durante a gravidez
  • Fatores ambientais e multifatoriais

Quem tem microtia ouve?

Sim, muitas pessoas com microtia conseguem ouvir, mas tudo depende do tipo e grau da malformação. 

Em grande parte dos casos, a microtia vem acompanhada de atresia do canal auditivo (fechamento do conduto auditivo externo), o que prejudica a condução do som até o ouvido interno. No entanto, a cóclea — estrutura responsável por transformar as vibrações sonoras em sinais elétricos para o cérebro — costuma estar intacta.

Isso significa que, apesar da perda auditiva do tipo condutiva, o sistema auditivo interno pode funcionar normalmente. Com o tratamento adequado, a pessoa pode ouvir por meio de dispositivos auditivos adaptados, como as próteses osteoancoradas.

Você pode saber mais sobre isso no artigo Microtia e próteses ancoradas: avanços em tecnologias auditivas

Graus de microtia

Microtia unilateral x bilateral

  • Microtia unilateral: afeta apenas um dos lados. É o tipo mais comum e, na maioria das vezes, permite o desenvolvimento da linguagem e audição normal com o ouvido saudável.
  • Microtia bilateral: afeta as duas orelhas. Nesses casos, o impacto na audição é maior e, sem tratamento, pode comprometer o desenvolvimento da fala e da comunicação. A reabilitação auditiva precoce é fundamental nesses casos.

Graus de microtia

A microtia é classificada em quatro graus principais, que variam de uma forma leve da malformação até a ausência total da orelha externa. Essa classificação é essencial para entender o impacto funcional da condição e definir as melhores estratégias de tratamento.

Microtia Grau 1

No grau 1, a microtia é considerada leve. A orelha é um pouco menor que o habitual, mas mantém uma forma semelhante à orelha típica, com estruturas como a hélice, anti-hélice e lóbulo bem formadas. 

O canal auditivo está presente e geralmente funcional, o que significa que a audição tende a ser próxima do normal ou apenas levemente reduzida. Muitas vezes, não há necessidade de intervenção cirúrgica, a não ser por razões estéticas.

Microtia Grau 2

O grau 2 representa uma microtia moderada. Nesses casos, algumas partes da orelha externa estão malformadas ou ausentes. A orelha pode ter um formato dobrado ou parecer incompleta. O canal auditivo costuma estar estreitado (estenose) ou parcialmente ausente (atresia parcial), o que leva a uma perda auditiva do tipo condutiva, geralmente leve a moderada. 

Dependendo da anatomia interna, o tratamento pode incluir o uso de aparelhos auditivos convencionais ou próteses osteoancoradas. A cirurgia estética também pode ser considerada, especialmente se houver impacto na autoestima ou assimetria facial marcante.

Microtia Grau 3

A microtia grau 3 é a forma mais comum da condição, classificada como severa. Aqui, a orelha é substituída por uma estrutura arredondada, muitas vezes descrita como “orelha em amendoim”, composta basicamente pelo lóbulo. O canal auditivo está ausente (atresia total), o que gera uma perda auditiva condutiva significativa. Apesar disso, a cóclea geralmente está preservada, o que permite uma excelente resposta ao uso de dispositivos auditivos de condução óssea, como as próteses osteoancoradas.

A reconstrução da orelha com cartilagem da costela ou com materiais sintéticos é possível e costuma ser indicada a partir dos seis anos de idade, dependendo da maturação da criança.

Microtia Grau 4

Também chamado de anotia, o grau 4 é a forma mais grave de microtia. Nesses casos, não há qualquer vestígio da orelha externa, nem do canal auditivo. A perda auditiva condutiva é severa, e a comunicação pode ser fortemente afetada, especialmente em casos bilaterais. 

O tratamento deve começar o quanto antes, com o uso de próteses auditivas de condução óssea ainda na infância, primeiro com faixa elástica e, posteriormente, com fixação cirúrgica. A reconstrução da orelha pode ser feita, embora seja um desafio maior e exija acompanhamento por equipe multidisciplinar.

Quem tem microtia é PCD?

Depende. Pessoas com microtia podem ser consideradas PCD (Pessoa com Deficiência), especialmente quando há perda auditiva significativa associada, seja unilateral ou bilateral.

De acordo com a legislação brasileira (Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência – Lei nº 13.146/2015), a deficiência auditiva é considerada mesmo em casos unilaterais com perda auditiva severa/profunda.

Essa classificação garante acesso a direitos, como:

  • Isenção de impostos na compra de veículos adaptados
  • Prioridade em concursos públicos (cotas)
  • Acesso a serviços de reabilitação auditiva

Qual o CID para microtia?

O CID mais comumente utilizado para microtia é o CID-10: Q17.2 – Orelha malformada

Esse código faz parte do capítulo das malformações congênitas do ouvido (Q16–Q17). Ele abrange anomalias da orelha externa, incluindo microtia, orelha de implantação baixa, orelha proeminente e outras deformidades.

Em alguns casos, dependendo da associação com atresia de conduto auditivo externo, também pode-se usar:

  • Q16.0 – Ausência de orelha (anotia)
  • Q16.1 – Atresia de conduto auditivo externo

Tratamento para microtia no Rio de Janeiro

Dr. Felippe Felix é especialista em ouvido, cirurgias e próteses auditivas. Se você ou seu filho tem microtia e deseja avaliar as opções de tratamento, agende uma consulta para acompanhamento completo e individualizada.

Consultório Ipanema: (21) 3149-2818 ou (21) 97132-0928
Exames auditivos: Otocenter Ipanema

Consultório Niterói, Icaraí: (21) 2710-6220 ou (21) 98017-6116
Exames auditivos: Otocenter Felix

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