Qual o melhor tratamento para otosclerose? Quando operar?
A otosclerose é uma das causas mais comuns de perda auditiva progressiva em adultos, especialmente entre os 20 e 40 anos. Caracterizada por um crescimento ósseo anormal no ouvido médio, essa condição afeta a mobilidade do estribo — um dos menores ossos do corpo — e impede a condução adequada do som até o ouvido interno.
Embora o uso de aparelhos auditivos possa ajudar muitos pacientes, em alguns casos a cirurgia se torna o melhor caminho para recuperar a audição. Mas como saber qual é o momento certo de operar a otosclerose? Neste artigo, vamos explicar os sinais que indicam a necessidade da cirurgia, os exames utilizados no diagnóstico e como paciente e médico decidem pela estapedotomia.
A otosclerose sempre precisa de cirurgia?
Não. A cirurgia é indicada quando a perda auditiva começa a impactar significativamente a qualidade de vida do paciente ou quando os exames mostram que o uso do aparelho auditivo já não está oferecendo boa resposta.
Muitos pacientes convivem bem com a otosclerose apenas com acompanhamento clínico e o uso de amplificação sonora. O tratamento é sempre individualizado.
Quando a cirurgia de otosclerose é indicada?
A cirurgia de otosclerose, chamada estapedotomia, costuma ser indicada quando:
- A perda auditiva é do tipo condutiva moderada ou severa
- O paciente tem boa audição no ouvido interno (cóclea preservada)
- Há sintomas como zumbido ou dificuldade crescente para compreender fala
- O uso de aparelhos auditivos não é suficiente ou não é desejado
Vale reforçar que a decisão de operar deve ser feita após avaliação completa por um otorrinolaringologista e um fonoaudiólogo, com base em exames objetivos.
Que exames são feitos antes da cirurgia?
Os exames realizados antes da cirurgia para otosclerose são fundamentais para confirmar o diagnóstico, avaliar a gravidade da perda auditiva e garantir que o paciente está apto para o procedimento. Abaixo estão os principais exames solicitados:
Audiometria tonal e vocal
É o principal exame para avaliar o tipo e grau de perda auditiva.
Na otosclerose, é comum encontrar um padrão característico: perda auditiva do tipo condutiva (quando o som não é transmitido adequadamente até o ouvido interno), geralmente mais acentuada nas frequências graves. Em casos mais avançados, pode haver também componente neurossensorial.
Além disso, esse exame avalia a capacidade de compreensão da fala, o que ajuda a prever a eficácia da cirurgia.
Imitanciometria (ou impedanciometria)
Esse exame avalia o funcionamento da orelha média e a mobilidade dos ossículos, especialmente o estribo (osso mais afetado pela otosclerose).
Ele pode mostrar alterações típicas da imobilidade do estribo, ajudando a diferenciar otosclerose de outras doenças da orelha média, como otite serosa ou disfunções da tuba auditiva.
Tomografia computadorizada de osso temporal
Embora nem sempre seja obrigatória, é cada vez mais comum que o otorrino solicite uma tomografia de alta resolução antes da cirurgia. Ela permite:
- Confirmar o diagnóstico de otosclerose;
- Avaliar a anatomia da orelha interna e média;
- Identificar variações anatômicas que podem influenciar o risco da cirurgia;
- Excluir outras causas de perda auditiva condutiva.
Avaliação clínica e exames pré-operatórios
Como em qualquer procedimento cirúrgico, o paciente passará por uma avaliação clínica geral e exames laboratoriais, como hemograma, eletrocardiograma e avaliação cardiológica, principalmente em pessoas com comorbidades ou idade mais avançada. Isso ajuda a garantir que o paciente esteja em boas condições para a anestesia e a recuperação.

Quando operar a otosclerose e quando usar aparelho auditivo?
Enquanto o aparelho auditivo amplifica o som para compensar a perda, a cirurgia remove a causa da perda condutiva (no caso, a imobilidade do estribo), devolvendo o caminho natural da condução sonora.
A escolha entre um e outro depende do perfil do paciente, grau da perda, estilo de vida, anatomia do ouvido, expectativas e saúde geral do paciente. Há pacientes que preferem evitar a cirurgia e usam aparelhos com ótimos resultados. Outros não se adaptam bem ao uso contínuo e optam pela cirurgia como forma de reconquistar a audição.
Estapedotomia e o uso de prótese
A cirurgia mais comum para tratamento da otosclerose é a estapedotomia.
Nela, o cirurgião remove parcial ou totalmente o estribo (um dos menores ossos do corpo humano, que transmite o som ao ouvido interno), que está imóvel devido à otosclerose.
Para restaurar essa transmissão sonora, o médico substitui o estribo por uma prótese muito pequena, geralmente feita de titânio ou teflon.
Essa prótese é conectada ao ouvido interno por meio de uma pequena abertura feita na janela oval — daí o nome “estapedotomia”.
Essa nova conexão permite que as vibrações sonoras voltem a atingir a cóclea adequadamente, restaurando de forma significativa a audição.
Otosclerose e aparelho auditivo
Em casos em que a cirurgia não é indicada ou desejada, o uso de aparelho auditivo é uma alternativa segura e eficaz. O aparelho não trata a otosclerose em si, mas amplifica os sons para compensar a dificuldade de condução sonora causada pela imobilidade dos ossículos.
Algumas diferenças importantes:
| Aspecto | Estapedotomia | Aparelho auditivo |
| Objetivo | Corrigir mecanicamente a causa da perda auditiva | Compensar a perda com amplificação sonora |
| Resultado esperado | Melhora permanente e significativa da audição | Boa melhora, desde que o uso seja contínuo |
| Manutenção | Não precisa trocar prótese | Requer manutenção, troca de pilhas ou bateria |
| Estética | Nenhuma prótese visível | Uso externo, pode ser visível |
| Custo a longo prazo | Alto investimento inicial, mas sem manutenção recorrente | Custos contínuos com manutenção e atualização de aparelhos |
| Indicação | Pacientes com bom estado de saúde auditiva geral e anatomia favorável | Pacientes que não querem ou não podem operar |

Quando não operar a otosclerose?
Apesar de a cirurgia para otosclerose, a estapedotomia, oferecer ótimos resultados em muitos casos, nem todo paciente é um bom candidato ao procedimento. A decisão de operar deve sempre considerar fatores clínicos, anatômicos e até emocionais. Veja os principais cenários em que a cirurgia de otosclerose não é indicada:
Otosclerose coclear (sem componente condutivo)
Quando a doença afeta diretamente a cóclea, sem comprometimento significativo da cadeia ossicular, a perda auditiva é do tipo sensorioneural e não melhora com cirurgia. Nesses casos, os aparelhos auditivos costumam ser a opção mais indicada.
Perda auditiva mista grave ou profunda
Se a otosclerose já causou dano tanto condutivo quanto sensorial em grau elevado, os benefícios da cirurgia podem ser limitados, e o risco de não atingir melhora significativa é maior. Nesse contexto, o uso de aparelhos auditivos de alta potência ou mesmo implantes cocleares pode ser considerado.
Anormalidades anatômicas
Alterações na anatomia da orelha média ou interna — como má formação dos ossículos, ossos muito frágeis ou obstrução da janela oval — podem dificultar ou inviabilizar o procedimento cirúrgico.
Condições clínicas que aumentam o risco cirúrgico
Pacientes com doenças que afetam a coagulação, uso contínuo de anticoagulantes, infecções crônicas no ouvido ou condições que dificultam o uso de anestesia devem ser cuidadosamente avaliados. Nesses casos, o risco pode superar o benefício.
Gravidez
A cirurgia de otosclerose não deve ser realizada durante a gestação, tanto por questões anestésicas quanto pelas alterações hormonais que podem interferir no resultado da cirurgia.
Preferência do paciente
Mesmo com indicação técnica, a decisão final é sempre compartilhada. Se o paciente não se sente confortável com a cirurgia ou prefere um tratamento mais conservador, os aparelhos auditivos são uma alternativa segura e eficaz.
Qual o resultado esperado após a cirurgia?
A maioria dos pacientes tem melhora significativa da audição, com fechamento do chamado “gap aéreo-ósseo” na audiometria. O zumbido também pode desaparecer ou reduzir bastante. Em geral, os resultados são estáveis ao longo dos anos.
Em casos mais avançados, ou quando a cóclea também está comprometida, pode haver necessidade de continuar usando aparelho auditivo mesmo após a cirurgia — mas com melhor desempenho.
Quem opera otosclerose no Rio de Janeiro
Dr. Felippe Felix opera otosclerose no Rio de Janeiro, sendo referência no país em cirurgias de ouvido, surdez e perda auditiva, próteses e implante coclear. Se você está buscando o melhor tratamento para otosclerose ou quer saber se é o caminho mais indicado para o seu caso, agende uma consulta.
Consultório Ipanema: (21) 3149-2818 ou (21) 97132-0928
Exames auditivos: Otocenter Ipanema
Consultório Niterói, Icaraí: (21) 2710-6220 ou (21) 98017-6116
Exames auditivos: Otocenter Felix